sábado, 7 de outubro de 2017

A Bahia de Luís Henrique Dias Tavares: a expansão territorial da Bahia

Quando olhamos o mapa da Bahia, não imaginamos que o estado configura como o quinto maior em extensão territorial e quarto em população do Brasil. A Bahia faz limite com oito estados brasileiros, são eles: Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Piauí, Pernambuco, Sergipe e Alagoas, além de ser banhada pelo oceano Atlântico. Mas como se deu esta expansão territorial?


Bom, graças a historiadores como Luís Henrique Dias Tavares, hoje conhecemos um pouco das expedições feitas desde 1500 para exploração colonial. Primeiro, vamos falar um pouco deste historiador baiano.

Luís Henrique Dias Tavares

Foto: Indio
Fonte: Academia Baiana de Letras
O escritor e historiador Luís Henrique Dias Tavares nasceu em Nazaré, Bahia, em 25 de janeiro de 1926. Cursou Geografia e História, com doutorado, pela Universidade Federal da Bahia. Pós-Doutorado pela Universidade de Londres. Foi jornalista, diretor do Arquivo Público do Estado da Bahia (1959 a 1969) e professor emérito da UFBA.

Atuou no teatro aos 16 anos e se apresentou no antigo Cine Teatro Jandaia. Foi cronista no Jornal da Bahia e teve obras escritas para novelas como, Não Foi o Vento Que Levou (1996). É autor de vários livros de História, principalmente sobre a Bahia e um deles é o História da Bahia que está em sua 11ª Edição, e para mim, que não sou historiadora, mas amo escrever sobre meu Estado, se torna uma leitura obrigatória.

O capítulo onze deste livro me chamou atenção ao abordar a expansão territorial do nosso Estado através das expedições. Naquela época, o processo de expansão envolvia conquista, posse e povoamento que decorria do enfrentamento de obstáculos naturais, rios, matas e serras e a resistência dos povos Tupi, Jê e Kariri. Vamos acompanhar estas expedições e redescobrir a Bahia descrita por Luís Henrique Dias Tavares.

O que eram as expedições?

Segundo Luís Tavares, as expedições baianas são inferiorizadas pela história em relação às bandeiras paulistas. O que se chamou de bandeira em São Paulo, é chamada de entrada na Bahia. Todas tinham como objetivo conquistar novas terras e guerrear com os nativos, tudo sob o comando dos capitães de patente real. Estas sempre seguiam o curso dos rios. Algumas importantes expedições:



1561- expedição organizada por Vasco Rodrigues de Caldas que comandou cerca de cem homens e subiu o rio Paraguaçu e teria alcançado a Chapada Diamantina na altura da vila de Andaraí. Combatido pelos tupinaés, retornou ao litoral.

Conheça a Chapada Diamantina em 3 dias com agência




1591- expedição organizada por Gabriel Soares de Sousa que comandou cerca de duzentos homens, sendo a maior de sua época. Partiu de Salvador e teria percorrido o vale do rio Salitre ou apenas terras dos rios Jaguaripe e Paraguaçu. O rio Salitre é um dos afluentes do Rio São Francisco e localiza-se no município de Morro do Chapéu, Chapada Diamantina e desagua em Campos do Cavalos, uma comunidade de Juazeiro (BA).

Conheça Cabaceiras do Paraguaçu, a cidade do poeta Castro Alves




1627- expedição organizada por Francisco Dias de Ávila em companhia do holandês Wilhem Joost Glimmer que enfrentaram os acroás  e encontrou ouro em Jacobina. Deu continuidade a construção da casa/sobrado/fortaleza de Tatuapara, hoje conhecida como o Castelo Garcia d'Ávila. Já o segundo Francisco Dias de Ávila, expandiu o território baiano através da pecuária até o Maranhão.

Conheça o Castelo Garcia d'Àvila em Praia do Forte (temporariamente fechado)



1696 a 1697 - expedição organizada por Pedro Barbosa Leal em companhia do mineiro prático Manuel Vieira da Silva , que exploraram  o ouro em Jacobina e os montes de Picaraçá (atual Monte Santo). Jacobina é a primeira vila do sertão baiano e era responsável por administrar os demais povoados da região.  Pedro Barbosa Leal foi o financiador da construção do antigo Convento das Ursulinas (Mercês) na cidade do Salvador.


O estudo dessas expedições serviu de base para as negociações dos convênios de limites territoriais firmados entre a Bahia e outros Estados de 1919 a 1926.

É importante lembrar que nestas conquistas de território muitos, milhares de índios foram dizimados e outros se rendiam ao cristianismo buscando refúgio nas aldeias formadas pelos jesuítas, para não serem mortos. Hoje, os locais citados neste post, são visitados por milhares de pessoas que buscam conhecer as belezas naturais e a cultura local.

Se você quer uma ajudinha para desenvolver seu roteiro pela Bahia de maneira prática, clique na imagem abaixo:


Para um maior entendimento da história da Bahia, recomendo a leitura de História da Bahia, 11ª Edição, de Luís Henrique Dias Tavares, Editora Unesp.

Este post faz parte da Blogagem Coletiva da rede Viaje pelo Nordeste, confira outros textos de outros blogueiros:

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