Raramente vou ao cinema e para ser sincera, ultimamente só vou ao cinema na época do Festival Varilux. Já falei dele nestes post aqui e aqui. São filmes recentes do cinema francês de altíssima qualidade e que sempre aborda temas atuais e espinhosos. Um deles é o filme Chocolate com o belíssimo ator Omar Sy, o mesmo de Intocáveis e Samba que assistir ano passado. 


Como sugerido por uma leitora, aviso que eu conto o final do filme, rsrs…


Omar Sy interpreta o palhaço Chocolate, um personagem real, que foi o primeiro artista circense negro na França. O seu nome de nascimento é Rafael Padilha, que nasceu em Cuba em 1868 e foi vendido quando ainda era criança. 

Quem descobriu seu talento foi o Footit, um palhaço em decadência, quando eles trabalhavam num Circo simples e velho, ao norte da França. Neste circo, Chocolate representava um canibal africano que assustava as pessoas. Mas Footit percebeu a possibilidade de inovar e criar outras apresentações, assim ele começa a treinar Chocolate e o dono do circo aceita que eles trabalhem juntos. 

Footit e Chocolate revolucionaram o circo francês e criaram apresentações que resultava em casa cheia sempre! Todo este sucesso levou os dois a serem contratados por um grande circo em Paris. Daí, a vida artística e pessoal dos dois, tomam novos rumos. Chocolate, não tinha estrutura para lidar com o dinheiro que era todo gasto com bebidas, mulheres e vícios. Enquanto Footit, era super econômico e comedido. Apesar das diferenças, os dois são muito amigos. 

Acrescentamos ao fato de que Chocolate sofre muito preconceito pela sua cor e por seu papel nas apresentações: ele sempre é quem leva porrada, chutes e todo mundo acha graça. Por falta de documentos, ele é preso e na cadeia conhece um negro do Haiti que desperta sua consciência para sua real situação como negro na sociedade francesa preconceituosa da Belle Epoque. 

Com o passar do tempo ele conhece uma enfermeira viúva e passa a viver com ela. Isto é um grande choque para a vizinhança desta enfermeira. Ela o apresenta ao diretor de Teatro para que possa interpretar Otelo, uma obra de Shakespeare, onde seria o primeiro negro a atuar no Teatro. Ele se sai muito bem na apresentação, mas a platéia, motivado pelo preconceito não aceita e protesta ao final da encenação.

Chocolate morre com pneumonia num circo, no interior da França, em que mora com a enfermeira viúva, ao receber a visita de seu amigo Footit. Assim, é o fim de um dos grandes nomes da arte francesa que nos toca profundamente neste filme ao abordar temas como preconceito e arte. Qual é o lugar do negro nas artes? Até onde é interessante que o mantenhamos em destaque? Qual o papel que pode ser interpretado pelo negro ou pelo branco? Quão forte é uma amizade apesar de vícios e diferenças? Estas são as questões fortemente abordadas pelo filme.

Confira o trailler:

 
 Fotos: site do Festival.

Este ano, tive a alegria de receber convites da Air France, patrocinadora do Festival,  para assistir aos filmes e agradeço ao Rafael Leick por ter entrado em contato e enviado os convites. O texto foi escrito por iniciativa própria, como sempre faço todo ano.

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