A larga barra da baía por Milton Moura – resenha literária

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Uma porta para o mundo. Assim é a nossa baía por onde passa história, sofrimento, novidades e produtos que fazem a economia mundial rodar. Nesta resenha (apenas de dois capítulos) sobre o livro A larga barra da baía, Edufba, 2011, org. Milton Moura, vamos conhecer mais sobre a Bahia (uma referência a Salvador) sob a grandiosidade da Baía de Todos os Santos.

Olhares Estrangeiros

Neste capítulo Olívia Biasin transcreve a impressão que alguns viajantes estrangeiros tiveram sobre Salvador durante o período imperial ( 1822-1889).

A inglesa Maria Graham ficou impressionada com a vegetação nas encostas de Salvador, com a paisagem entorno do Dique ( do Tororó), se locomoveu em cadeiras de arruar, o que achou desagradável e ao mesmo tempo, cômodo.  Além disso, ao ver os escravos expostos como mercadorias , sentiu vergonha e indignação.

O que ela achou da Cidade Baixa (hoje o bairro do Comércio)? Segundo ela, o lugar mais sujo da cidade. Foi só ela? Nao. O viajante Daniel Parish Kidder, norteamericano que esteve no Brasil com sua esposa entre 1836-1840, disse: ” A cidade baixa não oferece atrativos ao estrangeiro”. E para completar, outro que não gostou muito do que viu nesta região, foi o francês Conde Suzannet ao mencionar que na rua respirava-se “os odores mais nauseabundos”.

 

Outros viajante autores

Em contrapartida, a Cidade Alta era considerada elegante, limpa e tranquila, local onde era possível observar belas casas, carruagens e pessoas trajadas á moda europeia. A maioria dos habitantes de Salvador residia nessa área, sendo a freguesia da Sé o centro jurídico, administrativo e eclesiástico.  O austríaco Maximiliano de Habsburgo menciona de forma elogiosa a Praça do Teatro ( antigo Teatro São João, hoje a Praça Castro Alves) e compara sua beleza com a de Lisboa.

Onde estavam os negros e pobres nos anos de 1800? Eles habitavam as freguesias do centro, tais como, Passo, Santo Antônio Além do Carmo, Santana e São Pedro. E os ricos?Estes foram rumando para a Vitória, uma elegante periferia ao sul da cidade que passou a ser mais habitada a partir de 1850. Por isso, o Arquiduque Maximiliamo da Áustria, falou tão bem do bairro da Vitória: “Aí se acham também, as melhores casas, o melhor clima, a melhor água e a melhor sociedade.”

“A Bahia não se desnacionaliza”

A larga barra da baía, apresenta como Salvador tentou acompanhar as modernizações ao final do século XIX e início do XX. Mas havia um conflito entre desapegar dos costumes e tradições ligados a monarquia e abraçar a modernidade da República. Um exemplo é o nome da cidade que a princípio chamava-se São Salvador da Bahia de Todos os Santos, porém já foi chamada de São Salvador, São Salvador da Bahia, Bahia, Bahia de Todos os Santos e, finalmente, Salvador.

No período de 1810 a 1818 o porto de Salvador foi reformado, visto que, a cidade era um importante porto onde embarcava e desembarcava mercadorias, homens, ideias, hábitos e costumes. Além disso, a área comercial da Cidade Baixa passou por melhorias e foi construída a sede da Alfândega Provincial, inaugurado em 1861, onde atualmente funciona o Mercado Modelo.

Já nos anos 50, houve epidemias que forçaram a migração de recursos financeiros para a área da saúde o que favoreceu o setor. Apesar de crises econômicas dos anos 70, o setor de transportes passou por inovações, como exemplo, bondes puxados por cavalos, primeira linha de bonde da Cidade Baixa e a construção do Elevador Lacerda.

 

A modernização da cidade republicana

Enquanto que o Império buscava reformas na infraestrutura de Salvador, a República promovia a modernidade e a civilização através das mudanças de costumes. Assim, as críticas seguiam as intervenções modernistas que faziam parte do projeto de reformas urbanas de José Joaquim Seabra, que governou a Bahia em dois mandatos de 1912-1916 e 1920-1924.

Mas a grande realização foi a Avenida Sete de Setembro, inaugurada no dia comemorativo a Independência do Brasil. Uma avenida moderna dotada de canalização de água pluvial, iluminação elétrica e arborização. Porém, nem tudo era flores, pois o Mosteiro de São Bento estava nos planos de demolição, daí o abade reagiu e saiu vitorioso.

Reforçando que  a República promovia a modernidade e a civilização através das mudanças de costumes, se combatia a mendicância, os cultos afros e indígenas e qualquer forma de manifestação lúdica popular. O plano era branquear a sociedade baiana e desafricanizar as ruas e as festas religiosas da cidade. Um exemplo disto ocorreu em 1889 quando a lavagem da igreja do Senhor do Bonfim foi proibida e as baianas só conseguiram lavar as escadarias da igreja.

Por tanto, uma classe baiana almejava as reformas urbanas de São Paulo e Rio de Janeiro, mas não queriam deixar seu costumes e tradições. Algo parecido com hoje?

Assim, neste livro , A larga barra da baía, analisa aspectos estruturais e culturais que adentram pela Baía de Todos os Santos e se comunicam com o entorno desta.

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