São Francisco do Paraguaçu: História e Cultura – Resenha do livro

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Convido você a passear pela obra São Francisco do Paraguaçu: História e Cultura de um povo esquecido, a qual nos permite conhecer aspectos culturais e sociais da formação da comunidade quilombola de São Francisco do Paraguaçu, no Recôncavo da Bahia, através da construção da Igreja conventual Santo Antônio do Paraguaçu.

Autor

Antônio Gonçalves Garcia é nascido e criado em São Francisco do Paraguaçu, trabalhou em olaria, pescaria, camboa de pau e foi funcionário do Convento do Santo Antônio do Paraguaçu. De modo corajoso, com a professora Gessiane Dias, resolveu contar um pouco da “história que conseguiu levantar, através das pesquisas, deste pequeno, mas importante lugar …” (p.7).

Sua inquietação parte do sentimento de abandono, por parte das autoridades governamentais, em relação aos principais patrimônios históricos da região, a saber: o Convento Santo Antônio do Paraguaçu, Igreja Matriz de Santiago do Iguape e a Capela de Nossa Senhora da Pena.

Assim, nasce esta belíssima obra que será aqui apresentada de modo breve e com intuito de promover uma consciência crítica da nossa sociedade com base escravocrata.

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Capítulo 1 – Falando sobre o Rio Paraguaçu

Senhor Antônio Garcia, embasado em pesquisas, faz uma apresentação do Rio Paraguaçu e sua interlocução com o distrito. Traz a origem do nome Paraguaçu, sua extensão, sua importância para a economia e subsistência da população baiana.

Bem como, a relevância histórica do rio como meio de transporte, mas também como principal via de comunicação entre o litoral e o sertão. Além disso, este grande rio era margeado por dezenas de engenhos. “Segundo João Teixeira de Albernaz, em 1666, havia ao longo do Paraguaçu, cerca trinta e oito engenhos” (p. 11).

Outrossim, destaca as agressões que este rio vem sofrendo tais como “esgotamento doméstico, industrial e até hospitalar, uso de agrotóxico e fertilizantes nas culturas em suas margens” (p.14).

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Capítulo 2 – O distrito de São Francisco do Paraguaçu

São Francisco do Paraguaçu é um distrito que faz parte do município de Cachoeira e é uma das dezenas de comunidades remanescentes de quilombolas da Bacia do Iguape. Nesta seção o autor visou contextualizar o distrito a partir da origem banto da palavra quilombo que no Brasil “ganhou o sentido de comunidades autônomas de escravos fugitivos” (p. 16).

No contexto econômico, o distrito se forma com a cultura da cana de açúcar, fumo e criação de gado, em que se utiliza a mão de obra escrava para desenvolvimento dos processos produtivos. Com declínio dessas monoculturas, os quilombos ganham ainda mais relevância como meio de sobrevivência para os negros escravizados. O que representa um lugar de lutas e conquistas em meio a conflitos.

Senhor Antônio registra lideranças que participaram ativamente na conquista pela titulação da terra como quilombola, e nisto, cita Altino da Cruz e Maria das Dores de Correia, ambos falecidos em 2008.

Por fim, descreve o modo de vida da população, seus hábitos, costumes e tradições. Bem como, suas atividades econômicas e meios de subsistência.

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Capítulo 3 – O convento de Santo Antônio do Paraguaçu

A existência do Convento e a formação do distrito são indissociáveis. Deste modo, Antônio Garcia pormenoriza a construção do Convento e apresenta detalhes da sua arquitetura.

O Convento é de ordem franciscana e sua construção foi ordenada em 1647, sua pedra fundamental foi lançada em 1659 e a conclusão da obra se dá em 1686. A área onde está edificado o monumento é fruto de doação.

Neste livro é descrito os materiais utilizados na construção e sua procedência, como exemplo, as telhas utilizadas vieram da cidade de Maragogipe. Menciona-se o hospital construído em São Francisco do Paraguaçu para atender aos enfermos na epidemia da febre-amarela ou “peste da bicha”.

E registram-se, neste capítulo, os personagens que passaram por esse que também foi o segundo Noviciado do Brasil (sendo o primeiro localizado em Igaraçu, Pernambuco). E aponta-se um contra censo no estatuto desse noviciado ao explicitar que não receberia o hábito aquele que de “ocupação vil ou baixa, nem cavem, nem rocem, nem cortem cana” (p. 29). Isto se contrapõe aos ensinamentos franciscanos.

E o que chama atenção nesta edificação é a existência do salão do mar, que “era um calabouço, quando a maré subia os escravos permaneciam acorrentados”, deste modo, na época de construção do convento, ali era “um açougue de matar gente” (p. 26).

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Capítulo 4 – Uma palavra final

Neste capítulo se destaca as palavras de Hugo Fragoso em que “na realidade da vida não há ponto final mas, tão somente reticências …” O Convento apresenta-se como mediador da fé, mas também “uma luz e um arrimo para a pobreza abandonada” (p. 32). Por fim, temos que concordar com as palavras de Sr Antônio quando afirma que:

“Se não preservarmos corremos o sério risco de tudo se perder na oralidade e no descaso. É preciso revitalizar, é preciso conhecer para preservar. Afinal, ninguém preserva aquilo que não conhece.”

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