Post #2 da Série Bahia Afetiva – banho de rio

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bahia afetiva banho de rio

Dou boas vindas a você que veio conferir mais um post desta Série com o tema Bahia Afetiva Banho de Rio em que resgato minhas memórias afetivas enquanto faço um passeio pela Chapada Diamantina. Assim, independente da sua idade, vamos relembrar bons momentos da vida, seja na comida, seja nos saberes e fazeres ou nas paisagens. Neste episódio, venha tomar um banho de afetividade.

Lavar roupa

– Bom pessoal, o nosso passeio pelo mini pantanal Marimbus começa aqui no Rio Santo Antônio, conhecido, na Chapada Diamantina, como o rio que nunca seca.

– As mulheres lavam roupa por aqui também?

– Sim e vocês vão descer o rio de canoa acompanhados de dois moradores da comunidade quilombola do Remanso.

Havia um ritual para lavar roupa. Vovó fazia uma rodilha e colocava a bacia ou trouxa de roupa na cabeça. Na beira do rio, ela tirava peça por peça da bacia, mergulhava na água, passava o sabão, esfregava. Se a roupa era pesada, ela batia na pedra. Sim, roupa suja apanhava mais que tudo, rsrs. Se era pra dar um cheiro diferenciado, vovó pegava umas folhas de jasmim (na verdade lírio do brejo) que nasciam na beira do rio e esfregava na roupa como se fosse bucha. Mas se era pra deixar a roupa alvinha, colocava pra quarar.

bahia afetiva banho do rio

 

Brincadeiras

– A beleza do mini pantanal é incrível … cada planta … cada ave … quanta diversidade!

– Sim. Descer o Rio Santo Antônio de canoa é como passear por uma floresta sobre as águas.

– E haja fôlego para remar por quase 2h … parabéns!

– Sim! Fazemos parte da equipe de futebol da comunidade do Remanso e fui artilheiro ano passado.

Confira o post: mini Pantanal Marimbus + piscinas naturais do Rio Roncador

E as crianças faziam o quê enquanto as mulheres lavavam roupa? Eu só pensava em brincar, mas também era imperativo ajudar minha mãe e/ou minha avó, pelo menos colocando a roupa pra quarar ou secar. Depois de cumprir a tarefa, brincávamos pelos pastos, fazendas de cacau ou tomávamos banho no rio. Logo, a hora do almoço era na casa da bisa que morava bem na frente do rio e fazia um almoço delicioso com farofa d’água que era pra comer de mão. Daí, na volta pra casa, subindo a ladeira, era uma cantoria que só puxada pela minha avó que ia contando histórias e íamos nos divertindo.

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Água é vida

– Já estamos perto das piscinas do Rio Roncador?

– Que nada! Vocês vão sair da canoa, andar até o restaurante e depois andar mais um pouco subindo pras piscinas do Roncador. Mas é muito bonito lá. Eu gosto.

Desde criança, quem vive ou viveu no interior, entende que água é vida. Quando faltava água no rio, íamos pras fontes. Porém, lavar roupa no rio é melhor que lavar roupa na fonte, pois água corrente oferece praticidade. Por outro lado, as fontes geralmente ficavam perto de casa e encurtavam distância. Outra coisa que dávamos atenção, era o cuidado com a água da fonte. Sempre mantendo tudo limpo ao redor para evitar contaminação, pois parte da nossa sobrevivência dependia da água das fontes.

Assim, sempre que a natureza me proporciona um banho de rio, sinto um banho de afetividade onde lembro da minha infância e do dia a dia das mulheres do interior que iam lavar roupa no rio ou iam na fonte buscar água pros afazeres domésticos.

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Agradeço pela sua companhia neste texto Bahia Afetiva – Banho de rio e gostaria de ler seu comentário. Espero você nos próximos episódios. Abraços!

As fotos deste post é do guia Márcio Ribeiro.

VEJA TAMBÉM:

Post #1 da Série Bahia Afetiva – moqueca

 

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